Às vezes penso na mulher que eu era quando entreguei minha vida a Jesus.
Eu tinha 23 anos.
O coração cheio de entusiasmo.
Muitas certezas.
Muitas expectativas.
Acreditava que entendia como Deus agia.
Achava que sabia como minha história seria escrita.
Hoje, mais de trinta anos depois, percebo que minha fé mudou.
E, durante algum tempo, isso me assustou.
Achei que estivesse perdendo alguma coisa.
Mas hoje vejo que não.
Eu estava amadurecendo.
Aos 23 anos eu fazia perguntas diferentes
Naquela época, minhas orações eram cheias de planos.
Eu queria saber qual seria o futuro.
Pedia respostas rápidas.
Esperava que Deus resolvesse as situações logo.
Achava que a fé era, de alguma forma, uma garantia de que tudo daria certo.
Era uma fé sincera.
Mas ainda muito jovem.
A vida fez perguntas que eu não esperava
Os anos passaram.
Vieram os filhos.
O casamento.
As responsabilidades.
As dificuldades financeiras.
As decepções.
As perdas.
As orações que pareciam não ter resposta.
Vieram dias em que eu não entendia o que Deus estava fazendo.
E, pela primeira vez, descobri que algumas perguntas não seriam respondidas imediatamente.
Descobri que fé não é entender tudo
Durante muito tempo pensei que confiar significava compreender.
Hoje penso diferente.
Existem situações que continuo sem entender.
Existem histórias que ainda não fazem sentido para mim.
Existem capítulos que eu teria escrito de outra maneira.
Mas a maturidade me ensinou que confiar não depende de compreender todos os detalhes.
Às vezes, confiar é simplesmente continuar caminhando.
Minha fé ficou menos apressada
Quando era mais jovem, queria que tudo acontecesse rapidamente.
Queria mudanças rápidas.
Respostas rápidas.
Milagres rápidos.
Hoje ainda oro.
Ainda espero.
Ainda sonho.
Mas aprendi que Deus não trabalha apenas no destino.
Ele também trabalha no caminho.
E muitas vezes é durante a espera que nosso coração é transformado.
Perdi algumas certezas
Confesso que isso foi difícil.
Quando somos jovens, gostamos de respostas prontas.
De explicações simples.
Com o passar dos anos, descobri que a vida é mais complexa.
Hoje tenho menos respostas do que imaginava ter.
Mas, curiosamente, tenho mais paz.
Porque deixei de acreditar que preciso entender tudo para continuar confiando.
Ganhei algo mais valioso
Se perdi algumas certezas, ganhei algo muito melhor.
Ganhei intimidade.
Passei a perceber Deus não apenas nas grandes respostas.
Mas também nas pequenas sustentações do dia a dia.
Na força para levantar quando pensei que não conseguiria.
Na paz que apareceu em meio ao caos.
Na esperança que insistiu em permanecer quando tudo parecia incerto.
Hoje percebo que Deus esteve presente em momentos em que eu nem conseguia enxergá-Lo.
A fé madura não faz menos perguntas
Ela apenas faz perguntas diferentes.
Antes eu perguntava:
“Por quê?”
Hoje pergunto:
“O que posso aprender com isso?”
Antes eu perguntava:
“Quando isso vai acabar?”
Hoje pergunto:
“Como posso permanecer fiel enquanto isso não acaba?”
Não porque deixei de sentir dor.
Mas porque aprendi que algumas respostas chegam na forma de crescimento, e não de explicação.
A beleza de continuar aprendendo
Uma das coisas mais bonitas da caminhada com Deus é perceber que nunca chegamos ao fim do aprendizado.
Ainda tenho dúvidas.
Ainda tenho medos.
Ainda existem dias em que preciso lembrar a mim mesma das promessas em que acredito.
Mas isso já não me assusta.
Pelo contrário.
Mostra que minha fé continua viva.
Porque uma fé viva continua aprendendo.
Continua sendo moldada.
Continua crescendo.
Uma reflexão para hoje
Se você pudesse conversar com a mulher que era quando começou sua caminhada de fé, o que diria a ela?
Talvez você dissesse que nem tudo aconteceria como ela imaginava.
Mas também diria que Deus permaneceria fiel.
Que ela enfrentaria dias difíceis.
Mas não caminharia sozinha.
E que, um dia, descobriria algo precioso:
Uma fé madura não é aquela que tem todas as respostas.
É aquela que continua confiando mesmo quando algumas respostas nunca chegam.




