Já tem alguns anos que eu tive medo do tempo passar.
Medo de envelhecer.
Medo das mudanças.
Medo de olhar para trás e perceber tudo aquilo que não aconteceu.
Mas um dia percebi algo que me assustou ainda mais.
Talvez eu ainda tenha muito tempo pela frente.
E não estou falando de meses.
Estou falando de décadas.
Foi uma percepção estranha.
Porque durante anos eu vivi olhando para trás.
Pensando nas escolhas que fiz.
Nos caminhos que segui.
Nos sonhos que deixei pelo caminho.
Nas oportunidades que perdi.
Mas, de repente, me dei conta de uma coisa.
Minha história ainda não acabou.
O problema é que ninguém nos prepara para essa fase
Quando somos jovens, falam sobre o futuro o tempo inteiro.
Faça planos.
Construa uma carreira.
Case.
Tenha filhos.
Organize sua vida.
Mas ninguém explica o que acontece quando você chega aos 50.
Ninguém fala sobre a sensação de estar entre dois mundos.
Você não é mais jovem.
Mas também não se sente velha.
Ainda possui sonhos.
Mas não sabe exatamente quais.
Ainda possui energia.
Mas não a mesma de antes.
Ainda possui planos.
Mas eles já não são os mesmos.
É uma fase estranha.
E, às vezes, solitária.
O susto de perceber que a vida continua
Durante algum tempo vivi como se os capítulos mais importantes da minha história já tivessem acontecido.
A infância dos filhos.
A construção da família.
Os grandes desafios.
As grandes decisões.
Mas então percebi algo.
Talvez eu ainda tenha vinte ou trinta anos pela frente.
Talvez mais.
E a pergunta mudou completamente.
O problema deixou de ser o passado.
O problema passou a ser o futuro.
O que vou fazer com esse tempo?
Existe um tipo de medo que poucas mulheres confessam
Não é apenas medo de envelhecer.
É medo de desperdiçar o que ainda resta.
Medo de continuar vivendo no piloto automático.
Medo de passar mais dez anos adiando sonhos.
Medo de continuar esperando o momento perfeito.
Medo de descobrir, lá na frente, que a vida continuou passando enquanto estávamos ocupadas apenas sobrevivendo.
Esse é um medo real.
E talvez seja um medo saudável.
Porque ele nos desperta.
Eu percebi que estava esperando uma autorização
Durante muito tempo esperei que alguém me dissesse que ainda era possível.
Que ainda dava tempo.
Que eu ainda podia começar algo novo.
Mas ninguém veio.
Ninguém entrega essa autorização.
Precisamos dar isso a nós mesmas.
Precisamos decidir que nossa história não terminou.
Precisamos decidir que ainda vale a pena sonhar.
Precisamos decidir que ainda vale a pena tentar.
Talvez o melhor da vida não esteja atrás
Essa foi uma das conclusões mais difíceis para mim.
Porque existe uma tendência de acreditar que os melhores anos ficaram para trás.
Mas será que ficaram?
Ou será que os anos mais conscientes ainda estão por vir?
Hoje eu me conheço melhor do que aos 20.
Tenho mais discernimento.
Mais maturidade.
Mais experiência.
Menos necessidade de aprovação.
Talvez eu não tenha a mesma juventude.
Mas tenho algo que não possuía naquela época.
Clareza.
E isso tem muito valor.
O que você faria se acreditasse que ainda há tempo?
Essa pergunta mudou minha forma de enxergar o futuro.
O que você faria?
Escreveria um livro?
Começaria um negócio?
Mudaria hábitos?
Viajaria?
Voltaria a estudar?
Criaria algo novo?
Ajudaria outras mulheres?
O que faria?
Porque talvez a única coisa entre você e essa nova fase seja a crença de que já é tarde.
Uma reflexão para hoje
Se Deus lhe conceder mais vinte anos de vida, como você gostaria de viver esses anos?
Essa pergunta pode parecer simples.
Mas talvez ela revele algo importante.
Talvez o problema não seja a idade.
Talvez o problema seja que passamos tanto tempo olhando para o que ficou para trás que esquecemos de olhar para aquilo que ainda está diante de nós.
Sobre a autora
Depois dos 50 anos, comecei a perceber que a maturidade não é apenas uma fase de encerramentos. Também pode ser uma fase de construção. Hoje acredito que nunca é tarde para criar novos projetos, descobrir novos propósitos e escrever capítulos que ainda não existem.
Bem-vinda à Belleza Nobre. Um espaço para mulheres que desejam florescer em todas as fases da vida




