Você não está se QUEBRANDO, Você está FLORESCENDO.

Ipê amarelo florido ao lado de tronco de ipê com a casca quebrando

Talvez você não esteja se quebrando. Talvez esteja florescendo.

Hoje, a caminho do trabalho, peguei o ônibus como faço tantas outras vezes.

Sentei perto da janela e fiquei olhando para fora, perdida nos meus pensamentos. Em determinado momento, o ônibus parou para alguns passageiros descerem e meu olhar encontrou uma mulher sentada em uma lanchonete. Ela tomava café e comia um pão de queijo.

Partiu um pedaço, colocou na boca e ficou olhando para o nada. Era uma cena tão comum que provavelmente teria passado despercebida se, logo depois, ela não tivesse pegado um guardanapo e enxugado uma lágrima.

Então voltou ao pão de queijo.

Comeu mais um pedaço, bebeu um pouco de café e, alguns segundos depois, pegou novamente o guardanapo. Dessa vez, enxugou os dois olhos.

O ônibus começou a andar.

Eu nunca soube o nome daquela mulher. Não sei o que tinha acontecido com ela naquela manhã. Não sei se estava vivendo um problema no casamento, enfrentando dificuldades financeiras, preocupada com alguém que ama, cansada de alguma situação ou simplesmente chegando ao limite depois de suportar coisas demais por tempo demais.

Mas, enquanto o ônibus se afastava, fiquei pensando nela.

Talvez porque, de alguma maneira, eu tenha me reconhecido naquela mesa.

Há dores que a gente vive em silêncio

Quantas vezes eu também já chorei em algum cantinho pedindo uma ajuda, uma resposta ou simplesmente uma solução?

Nem sempre é fácil dizer que não estamos bem.

Não é fácil se expor. Nem todo mundo entende a nossa dor e, muitas vezes, sequer conseguimos explicar exatamente o que está acontecendo dentro de nós.

Existe tanta pressão do lado de fora que, em algum momento, ela começa a morar do lado de dentro.

Precisamos trabalhar. Resolver problemas. Cuidar da casa. Pensar nas contas. Estar disponíveis para quem precisa de nós. Tomar decisões. Continuar funcionando.

E seguimos.

Às vezes, até tomando café e comendo pão de queijo enquanto enxugamos as lágrimas.

Talvez ninguém ao redor perceba.

Mas nós sabemos o esforço que existe naquele simples ato de continuar.

E foi pensando naquela mulher que me lembrei dos ipês.

Um ipê me fez pensar sobre o que é estar quebrada

No fim de semana, eu estava na chácara quando percebi que os ipês estavam floridos.

Fiquei encantada.

De longe, eram pura beleza. Aquelas flores chamavam a atenção e eu fui até perto para admirar melhor e registrar aquele momento.

Foi quando percebi uma coisa que, de longe, eu não tinha visto.

O tronco estava descascando.

Passei a mão sobre ele e alguns pedaços daquela casca se soltaram com facilidade.

Fiquei olhando para aquilo por alguns instantes.

Na minha frente havia uma árvore coberta de flores e, ao mesmo tempo, com partes de sua casca se desprendendo.

E naquele momento pensei:

Eu me sinto assim.

Por fora — e talvez até em algumas partes de mim por dentro — alguma coisa está florescendo.

Tenho ideias. Tenho planos. Tenho vontade de mudar coisas na minha vida. Tenho sonhos que ainda não abandonei.

Mas também existem dias em que me sinto toda quebrada.

Dias de pressão.

Dias em que penso que talvez não consiga.

Dias em que eu queria simplesmente parar.

É possível florescer enquanto algumas partes de nós estão caindo

Talvez tenhamos aprendido uma ideia muito bonita, mas pouco realista, sobre crescimento.

Imaginamos que crescer é deixar de sofrer.

Que primeiro tudo se resolve e depois florescemos.

Que primeiro ficamos fortes, seguras, descansadas e com a vida organizada — e então começamos uma nova fase.

Mas a vida nem sempre respeita essa ordem.

Às vezes, a mudança começa quando ainda estamos cansadas.

A coragem aparece enquanto ainda existe medo.

Uma ideia nasce no meio de um problema.

Um novo caminho começa quando ainda não terminamos de entender o anterior.

E talvez seja por isso que aquele ipê tenha mexido tanto comigo.

Porque ele não estava diante de mim esperando ficar perfeito para florescer.

Havia flores e havia cascas caindo.

As duas coisas existiam ao mesmo tempo.

Talvez ninguém veja a batalha que existe por trás das suas flores

Quem passasse por aquele ipê provavelmente olharia primeiro para as flores.

Foi o que eu fiz.

Só quando cheguei perto percebi o tronco.

Talvez aconteça algo parecido conosco.

As pessoas enxergam aquilo que conseguimos entregar. Veem quando trabalhamos, quando cuidamos de alguém, quando começamos um projeto, quando sorrimos, quando resolvemos um problema.

Nem sempre enxergam as partes que estão se soltando.

Não veem a noite em que choramos.

O medo de não conseguir.

O cansaço.

A vontade de ficar na cama e desaparecer do mundo por algumas horas.

Aquela mulher na lanchonete talvez tenha se levantado depois, guardado os guardanapos, pago o café e seguido para algum compromisso.

Quem cruzou com ela na rua provavelmente nunca imaginou que, poucos minutos antes, ela estava chorando diante de um pão de queijo.

Mas eu vi.

E talvez por isso não tenha conseguido esquecê-la.

Há dias em que continuar já é uma forma de coragem

Eu também tenho dias em que penso em parar.

Há momentos em que a pressão parece maior do que a minha capacidade de suportá-la. Momentos em que vem um choro que parece não ter fim.

Mas existe dentro de mim uma recusa em permanecer nesse lugar.

Não porque eu seja forte o tempo todo.

Não sou.

Talvez seja simplesmente porque ainda acredito que a minha vida pode ser diferente.

E essa recusa me faz insistir.

Quando insisto, alguma coisa se movimenta.

Surgem ideias.

Aparecem possibilidades.

Dou mais um passo.

Depois outro.

E, quando percebo, em algum lugar entre o cansaço e a esperança, alguma coisa começa a florescer.

Se hoje você se sente quebrada…

Talvez você esteja vivendo uma fase em que consegue enxergar apenas as cascas caindo.

Talvez esteja cansada de precisar ser forte.

Talvez esteja tomando seu café enquanto tenta impedir que alguém perceba seus olhos cheios de lágrimas.

Eu não conheço a sua história.

Assim como não conheço a história daquela mulher que vi pela janela do ônibus.

Mas, se eu pudesse me sentar por alguns minutos diante dela — e talvez diante de você — não tentaria dizer que tudo vai ficar bem rapidamente.

Eu apenas diria:

Não despreze as pequenas flores que estão aparecendo enquanto algumas partes de você ainda estão se desfazendo.

Uma coisa não anula a outra.

Você pode estar cansada e ainda estar avançando.

Pode sentir medo e ainda estar tentando.

Pode chorar e, depois, voltar ao seu pão de queijo.

Pode ter partes machucadas e, ainda assim, produzir alguma coisa bonita.

Naquele fim de semana, cheguei perto do ipê porque queria fotografar suas flores.

Mas voltei pensando em sua casca.

E talvez seja justamente essa a imagem que eu precisava guardar:

nem sempre parecer que estamos nos quebrando significa que não estamos crescendo.

Às vezes, enquanto algumas cascas caem, a vida já começou a florescer.

Eu já pensei em parar muitas vezes. Talvez, assim como eu, você esteja pensando nisso agora.

Em um dos meus dias mais difíceis, uma amiga me disse algo que ficou comigo. E hoje eu quero repetir essas palavras para você:

Você pode diminuir o ritmo sem abandonar o caminho.”

Se você estiver precisando descansar sem desistir de si mesma, talvez esse artigo também seja para você.

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